Nota contra a ADI 5581
22 de abril de 2020
Sim à vida:
28 de abril de 2020

Comunicado Pastoral

Comunicado Pastoral em Tempo de Pandemia Covid 19

Querido irmãos de Presbitério da Diocese de luz,
Desejo-lhes Graça, Saúde, Paz e Alegria, frutos pascais da parte d’Aquele que é, que era e que vem, Jesus Cristo, a testemunha fiel, o Primogênito dentre os mortos, que “ressuscitado já não morre mais, a morte não tem mais poder sobre Ele”.
Irmãos de Presbitério, a finalidade desta é fazer mais uma partilha sobre estes tempos novos e tão diferentes em que vivenciamos uma experiência nova, inaudita que traz, sem dúvida, grandes desafios, mas também possibilidades.
1. Um pouco de reflexão:
Ocorre-me comparar, espiritualmente, este tempo com os dias que Jesus repousou no sepulcro, aparentemente, vencido pela violência da morte; foi o tempo do silêncio de Deus, marcado por forte medo e decepção, pelo sentimento de derrota da comunidade discípula, que sem nenhuma visibilidade, penou, amargando a incerteza e o sentimento de morte dos seus sonhos. Quando nenhuma possibilidade humana mais restava, e somente Deus podia agir, Ele agiu. Agiu, com poder, refazendo irromper pela Ressurreição do seu Amado Filho, infinita fecundidade, em cumprimento daquelas misteriosas palavras da profecia de Isaías: Ei-lo: o meu Servo será sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau...por esta vida de sofrimento, ele alcançará a luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o justo fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. Por isso compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os seus valentes seguidores...” (Is. 52,13-53,12).
Nele e por causa d’Ele: a morte não pôde e jamais poderá vencer a vida porque Deus é Vida, as trevas não puderam nem poderão vencer a luz, porque Deus é Luz! O ódio e violência não triunfaram nem triunfarão jamais, porque Deus é amor, misericórdia e perdão! A mentira e a falsidade não venceram nem vencerão jamais, porque Deus é a Verdade.
Nele, como outrora na manjedoura, agora na cruz e no sepulcro vazio, Deus provou seu amor e bondade, e que é pela fragilidade que Ele manifesta sua força; (cf.2 Cor 4,7ss), tornando palpáveis a verdade as Palavras de Jesus em Marcos: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível” (Mc 10, 27).
Nele, Jesus Cristo, o Servo Fiel de Deus, o Vivente, Vencedor e Vitorioso, o Justo e Justificador, o distribuidor de toda bênção, o Esposo fiel e devotado da Igreja, o enriquecido de todas as riquezas do céu, que Ele generosamente distribui com seus valentes seguidores que é sua Igreja, uma clara e forte certeza nos habita: a humanidade que ele recriou na sua cruz, e sua Igreja que Ele conquistou com seu sangue, sairão fortalecida desta crise, desta dolorosa paixão. Nossa querida Igreja purificada neste isolamento, será mais santa, mais focada no essencial. Os nossos padres sairão mais orantes, simples e fraternos, mais próximos uns dos outros, descobrirão o valor essencial da comunhão e tudo por graça de Deus, claro:
DOM JOSÉ ARISTEU VIEIRA POR GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APÓSTÓLICA BISPO DIOCESANO DE LUZ
“Vi um novo céu e uma nova terra...pois o primeiro céu e a primeira terra passaram. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, vestida como esposa enfeitado para o seu esposo ...Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, a morte não existirá mais, não haverá mais nem luto, nem grito, nem dor... Eu farei novas todas as coisas” (Ap 21, 1-5).
2. Partilha de informações colhidas:
Dia 19 último, os Vigários Forâneos, o coordenador de Pastoral e eu nos reunimos digitalmente, fazendo um balanço da situação, avaliamos o nosso decreto vigente até então; compartilhamos as vivências das celebrações da Semana Santa, que dentro dos limites, foi bem preparada e vivida e participada, sendo que algumas paróquias se uniram como em Piumhi e Samonte. No geral, houve boa adesão e participação digital do nosso povo. Cresceu muito, em geral, pela experiência, o uso e a importância do rádio, da TV net, e das redes sociai etc. Pela experiência que vai sendo feita, estes meios deverão, sem dúvida, ocupar mais atenção e espaço na nossa evangelização.
2.1. Partilhamos a situação da pandemia COVID 19 nos municípios abrangidos pelas nossas Foranias e concluímos que a situação é mais ou menos a mesma: continua exigindo-nos cuidado e prudência! Se há poucos casos confirmados, há grande número de casos suspeitos e mortes cujos testes não têm ainda resultado. A grande incerteza da nossa situação é que há pouquíssimo acesso aos testes, que estão restritos ao pessoal da saúde e aos casos graves. Já há mortes pela doença no nosso território diocesano.
2.2. Duas cidades nos preocupam, particularmente: Lagoa da Prata e Arcos, com números altos: 14 e 7 casos confirmados. Estas duas cidades são lugares polos de nossa Diocese, se não houver particular cuidado nosso como Igreja, que aglomeramos de forma permanente e, em toda e extensão dos municípios, grande número de povo, podemos causar catástrofe mortífera. Alertamos que mesmo que decretos locais por pressão natural da situação nos incentivem a voltar às atividades, se houver um aceleração dos problemas, podemos ser acusados de não haver colaborado, ou não haver cumprido bem com as exigências, que são difíceis de serem postas em prática, já que nosso povo, nem sempre, obedece os pormenores de regras.
Razões óbvias desta preocupação: a violência desta doença, uma verdadeira “guerra mundial”, que parou o mundo. Um comentarista esportivo dizia: “nada será igual que antes, o futebol já não será o mesmo”. Só no continente Europeu já atingiu um milhão de pessoas, e matou mais de 100 mil. Na Itália já matou 100 padres e no Brasil, um bispo e um padre. O mais grave é ser incontrolável, invisível, sorrateira e leta
l.
2.3. Já que não há nenhum tratamento nem vacina, e que há clara politização dos encaminhamentos, melhor não arriscarmos, termos paciência, acalmarmos nossas comunidades e aguardar mais uns quinze dias, vendo o que acontecerá, para não chegarmos à situações, já vistas em outros Estados, de caos nos hospitais.
2.4. Em relação à administração Paroquial, um dado importante: Até sexta feira passada, 17/04, havia em torno de 100 pedidos de nossas Paróquias à contabilidade para encaminhar o item “a redução de jornada de trabalho, tal como indicado no comunicado oficial anterior. Houve um caso ou outro de pedido à Cúria de utilização dos 10% como empréstimo, e um pedido de socorro para côngrua
.
3. Encaminhamentos:
3.1. Por unanimidade, optou-se por confirmar a prorrogação do Decreto, sem alteração, por mais 15 dias, portanto até o início de maio, para se ter um pouco mais de visibilidade da situação; passado este período faremos então uma nova avaliação e veremos o que podemos fazer e como prosseguir nossa caminhada de Igreja.
3.2. Por unanimidade, avaliou-se ser desaconselhável permitir a distribuição de comunhão às pessoas em carro como visto na internet. Estaríamos, entre outras coisas, incentivando as pessoas a saírem de casa, quando a ordem é ficar em casa. Depois nem todos tem carro para vir, isso daria uma movimentação descontrolada de pessoas.
Para as missas, ficamos exatamente como estava determinado antes, nenhuma mudança. Aliás se assim for, correria o risco de haver comparação do povo de uma Paróquia para outra, com desgaste para a comunhão entre os padres.
3.3. Concluímos, unanimemente, que para as transferências se aguarde mais um tempo, ao menos até a vida voltar mais ao menos ao seu curso, pois na situação atual, os vínculos já estabelecidos são indispensáveis para a ajuda ao povo angustiado. Enquanto isso, os que serão mudados preparem bem seus relatórios, e assim que prontos, enviá-los já por favor, à Cúria para irmos adiantando os trabalhos.
Pediu-se que não baixemos guarda no compromisso de alimentar nosso povo com o Pão da Palavra, colaborando para que nossas famílias, se tornem, de fato, CASA DA PALAVRA e da ESPIRITUALIDADE. Nisso, se evocou a oportunidade da colaboração dos agentes da Pastoral Familiar, oferecendo subsídios e orações às famílias.
3.4. Fica a critério dos Párocos de acordo com sua realidade, quanto à abertura das Igrejas para oração pessoal, à escuta e atendimento individual, assim como a maneira de funcionamento dos escritórios, como o modo de recolhimento do Dízimo. Lembrando para reuniões de urgência, já há o recurso de aplicativos como o fazemos agora. Padre Tiago e Padre Marcelo de Formiga poderão orientar o uso destes instrumentos.
Deus nos abençoe a todos e nos dê muita resiliência e força espiritual para, de tudo isso, sairmos mais que vencedores.
Forte abraço pascal digital, bem cordial, no grande desejo de nos reencontrarmos felizes e reconciliados.
Para maiores explicações e auxílios não receiem de nos chamar, estamos de plantão.
Dado e passado na Cúria Diocesana de Luz, aos 21 dias do mês de abril do ano de 2020, sob nosso selo e sinal de nossas armas.